Entre o riso e o choro, o drama da vida ou a comédia a cores ou a preto e branco. A verdade escondida que nos faz pensar e crescer, meras coincidências que nos dizem tanto ou quase nada, momentos bem passados de preferência partilhados, numa boa companhia e num pacote de pipocas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

OSCARS : DEPOIS DA SELFIE

É já na madrugada de domingo que Neil Patrick Harris, o actor de How I Meet Your Mother vai apresentar a 87ª cerimónia de entrega dos Óscars de Hollywood, o que, só por si já o deixa nervoso por suceder a Ellen DeGeneres: "Como é que eu bato uma selfie que arrasou com a internet?", perguntou Harris. Até lá e aqui pelas Pipocas, iremos divulgar algumas curiosidades e opiniões sobre mais uma festa do cinema em que salta à vista o regresso de Michael Keaton aos grandes palcos com Birdman, um dos grandes avoritos da noite em que os candidatos das principais categorias são:




MELHOR FILME 

«Sniper Americano»
«Birdman»
«Boyhood»
«O Grande Hotel Budapeste»
«O Jogo da Imitação»
«Selma»
«A Teoria de Tudo»
«Whiplash - Nos Limites»


MELHOR REALIZADOR 

Alejandor Gonzalez Iñárritu («Birdman»)
Richard Linklater («Boyhood»)
Bennett Miller («Foxcatcher»)
Wes Anderson («O Grande Hotel Budapeste»)
Morten Tyldum («O Jogo da Imitação») 


 

 MELHOR ATOR PRINCIPAL 

Steve Carell, «Foxcatcher»  
Bradley Cooper, «Sniper Americano»
Eddie Redmayne, «A Teoria de Tudo»
Benedict Cumberbatch, «O Jogo da Imitação»
Michael Keaton, «Birdman» 




 MELHOR ATOR SECUNDÁRIO 

Robert Duvall, «The Judge»
Ethan Hawke, «Boyhood»
Edward Norton, «Birdman» 
Mark Rufallo, «Foxcatcher»
J.K.Simmons, «Whiplash - Nos Limites» 


 MELHOR ATRIZ PRINCIPAL 

Marion Cotillard, «Dois Dias, Uma Noite»
Julianne Moore, «Still Alice»
Rosamund Pike, «Em Parte Incerta»
Felicity Jones, «A Teoria de Tudo»
Reese Whiterspoon, «Wild» 


 MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA
 
Patricia Arquette, «Boyhood»
Laura Dern, «Wild»
Keira Knightley, «O Jogo da Imitação»
Meryl Streep, «Caminhos da Floresta»
Emma Stone, «Birdman»  


 MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO 

«Big Hero 6»
«Os Monstros das Caixas»
«Como Treinares o Teu Dragão 2»
«Song of the Sea»
«The Tale of the Princess Kaguya»


  MELHOR MÚSICA 

«Everything is Awesome», «O Filme Lego»
«Glory», «Selma»
«Grateful», «Beyond the Lights»
«I’m Not Gonna Miss You», «Glen Campbell…I’ll Be Me»
«Lost Stars», «Begin Again» 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

FILMES DA MINHA VIDA

 Não são muitos os filmes que se podem gabar de ter tantas adaptações como O Monte dos Vendavais, obra baseada no romance intemporal de Emily Bronte e que tem sido adaptado para o cinema desde 1920, tendo ganho mais projecção no longínquo ano de 1939 quando William Wyler dirigiu Laurence Olivier numa complexa teia de emoções que ainda hoje nos prende ao ecrã e não deixa ninguém indiferente . O papel de um protagonista longe do estereotipo do herói clássico, longe de agradar a gregos e troianos como soi dizer-se,  foi ainda interpretado por Timothy Dalton - mais tarde um dos mais memoráveis e injustiçados 007s -, mas terá sido pela mão de Ralph Fiennes, para mim, a versão mais conseguida de uma das mais belas histórias de amor cinematográficas de que tenho memória.

   Com as paisagens agrestes e ao mesmo tempo melancolicas de Yorkshire e uma banda sonora que nos envolve com enorme densidade, um convincente e brilhante Fiennes protagoniza uma química invulgarmente arrebatadora com uma das mais magnetizantes e mais competentes actrizes do cinema francês, Juliette Binoche. Os dois dão vida aos amantes amaldiçoados Heathcliff e Cathy, nesta realização de Peter Kosminsky sobre um amor tão demoníaco como obsessivo, com uma intensidade tal que é capaz de destruir tudo em que toca, uma relação amor/ódio que não raramente termina em tragédia, mas que nos eleva e nos consome, nos faz viver uma eternidade num segundo ou pouco mais.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

UMA PROVIDÊNCIA CAUTELAR CONTRA NICHOLAS SPARKS


 Basta! Não a mais filmes baseados nos livros de Nicholas Sparks, que nos fazem chorar quase com tanta facilidade como os discursos do ex-ministro Vitor Gaspar e de todos os restantes ex e actuais governantes. Haja paciência e kleenexs em quantidade indústrial para tantas lágrimas.
O Melhor De Mim é mais do mesmo, é revisitar O Diário da Nossa Paixão, A Melodia do Adeus, Um Amor Para Recordar ou As Palavras que Nunca Te Direi em quase duas horas de uma história com a marca de Sparks. No fundo, o romance tantas vezes já visto mas sempre actual a envolver duas pessoas de diferentes classes sociais numa luta contra o mundo e contra a lei das probabilidades, uma história tão banalizada mas que Nicholas Sparks consegue transformar num grande entretenimento cinematográfico, como já nos demonstrou tantas vezes e continua a fazê-lo sem demonstrar qualquer cansaço ou perda das qualidades que o tornaram num grande contador de histórias.


The Best Of Me mostra-nos um amor que não desvanece pela diferença de classes sociais, pelo tempo ou mesmo após a morte física de um dos intervenientes. Cresci a desejar que os amores verdadeiros fossem assim e hoje acredito, o que faz com que filmes como este continuem a deixar-me - confesso-o sem qualquer pejo - com uma lágrima ao canto do olho. Michael Hoffman é o realizador desta bela história, a querer relançar uma carreira que não conhece grandes encómios desde 1996 quando juntou os mediáticos Michelle Pfeiffer e George Clooney em Um Dia Em Grande, contando para isso com um elenco bastante competente a começar por Michelle Monaghan (Olhos de Lince) e James Marsden (X-Men) e ainda Luke Bracey (G.I.Joe) e o magnetismo de Liana Liberato (Se Eu Ficar). Como curiosidade, apenas acrescento que o papel atribuido a James Marsden era originalmente para Paul Walker, o malogrado actor de Velocidade Furiosa. Para quem ainda gosta de se deixar envolver pelas emoções do coração, muitas boas razões para não perder um bom filme.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

REALIZADOR DE SONHOS

2014 está a terminar à semelhança dos grandes filmes de suspense, cheio de incógnitas, de pontas soltas, de inumeráveis "ses" que podem virar a trama do avesso. Para melhor? Para pior? Só o grande escritor o poderá dizer, aquele cujo roteiro vamos seguindo diáriamente, realizadores dum filme outrora escrito mas que vamos moldando ao nosso gosto e ao sabor de um vento por muitos chamado de destino. Foram 365 dias de muitos e bons filmes, algumas pipocas também, de rascunhos que não pereceram no papel e a que lhes dei vida. De que vale a vida se não podemos ser heróis dos nossos próprios filmes no interminável guião da vida real? 2015 está à porta e o ano promete no que ao cinema diz respeito. Já no que me diz respeito aqui deste lado, prometo um maior afinco para vos ir deixando informados sobre o que por aqui vou assistindo, com opiniões nem sempre consensuais mas sinceras, mas não fique por aqui, já que a vida é muito mais do que um filme assistido em boa companhia assistido na segurança dessa janela virtual que é a televisão. Há vida no lado de lá dessa janela, onde cada cena tem o cheiro e o sabor que só a vida nos oferece. Claro que a dor existe e ao contrário do cinema machuca, fere-nos tantas vezes sem que estejamos preparados, mas a vida é isso, é feita de altos e baixos, de momentos de grande prazer mesclados aqui e além por pancadas violentas que nos ensinam a ser mais fortes e a dar o justo valor a cada nova conquista. Aí, para lá dessa janela, onde tantas vezes os vilões passam confundidos por heróis, pode até nem haver duplos, mas certamente num ou outro lugar por mais recôndito, há uma donzela por resgatar, um final feliz por que lutar, um sonho por realizar. Um Feliz Natal e um próspero ano novo, amigos e amigas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O DIA DA PURGA - Ficção ou Realidade?

The Purge é um daqueles filmes que, sem ser um grande filme - longe disso -, deve deixar-nos preocupados, devido à sua mensagem de uma violência gratuita e atroz em que as semelhanças com a realidade são muito mais do que simples coincidências. James Sandin ( Ethan Hawke, que já tinha trabalhado com o realizador James DeMonaco em Assalto à 13ª Esquadra) e Lena Headey são os protagonistas deste filme numa América futurista (2022) onde a solução para uma crescente e incontrolável onda de crimes deu origem a que o governo tomasse medidas radicais como o dia da purga, doze horas especialmente dedicadas à violência e onde todos podem extravazar todos os seus instintos mais selvagens, toda a pressão acomulada durante um ano, cometendo desde simples agressões a assassinatos indiscriminadamente ou sobre as pessoas de quem não gostam, sem que a polícia, médicos ou bombeiros se intrometam no desenrolar dos acontecimentos por mais graves que estes sejam. Sandin e a família, compreendendo e respeitando como todos em geral a necessidade deste dia, fecham-se todavia na sua casa especialmente fortificada para o efeito, esperando o final das doze horas, mas a entrada de um intruso leva ao desencadear de ocorrências imprevistas e que fogem ao controlo dos Sandin e os levam a ter uma participação inesperadamente activa neste dia. O que poderia ser apenas mais um filme violento e sem grande sentido é também um sério aviso sobre os perigos de uma sociedade em que cada vez mais matamos ou destilamos ódio pelos motivos mais insignificantes quase sempre resolvidas de um modo pouco racional. Ao contrário da maioria - que escolheria virar a cara para o lado perante alguém a ser atacado - o filho de James resolve acolhê-lo, abrindo uma brecha na muralha física mas também psicológica dos Sandin, colocando a sua família num perigo evitável, que se torna voluntário quando perante os perseguidores a família opta por não o entregar a uma morte certa,e os leva a tornarem-se também eles presas neste jogo da caça e do caçador, como ainda os leva a questionarem-se sobre os valores morais, razões e consequências deste dia. Esta decisão mostra a réstea de humanidade e de esperança numa sociedade cada vez mais perto dos seus instintos básicos não obstante séculos de evoluçao a que nem sempre corresponderam o racionalismo e o saber estar em sociedade. A realidade aumentada aos olhos de DeMonaco é rude, crua mas os sentimentos não são fictícios, muito pelo contrário. Quantas vezes abrimos os jornais e lemos sobre o assaltante que matou - sem necessidade - as suas vítimas, da pessoa que matou o patrão, do irmão que matou irmão, do filho que tirou a vida ao pai, do homem que matou a ex-mulher por ciúmes, ou tantas vezes por futilidades difíceis de compreender e ainda mais de aceitar. Quem nunca falou ou pensou mal de alguém, de um político, de um vizinho, de um "amigo" ou colega com palavras mais ou menos agressivas? Quanto tempo de evolução nos separará a nós do dia da purga?

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A CULPA É DAS ESTRELAS


Josh Boone traz-nos com A Culpa é das Estrelas a versão cinematográfica do livro de John Green com o mesmo nome, apenas o seu segundo trabalho como realizador. O filme conta o encontro e o envolvimento entre Augustus Waters, um jovem amputado de uma perna, cujo maior medo é não ser lembrado e Hazel Grace Lancaster, uma doente terminal que se mantém viva graças a uma droga experimental, ambos vítimas de um dos maiores flagelos deste século. O cancro, visto aqui pelos olhos dos dois jovens, famíliares e amigos, é o final implacável mas também o inimigo a quem enfrentamos com um sorriso nos lábios como na metáfora do cigarro que Augustus traz sempre consigo, embora apagado, como que querendo desmistificar tabus. Afinal, uma pistola só é uma arma quando alguém pressiona o gatilho, nunca a pistola em si. 
O filme é um romance daqueles que nos fazem chorar, mas isso seria uma forma simplista de o caracterizar, e relegaria para segundo plano todo um humor inteligente e mordaz - Augustus diz a dada altura:“Não parecemos muita coisa, mas aqui nós temos cinco pernas, quatro olhos, e dois pares e meio de pulmões funcionais…” , e por vezes uma perspectiva positivista de encarar uma doença como o cancro sem o pessimismo do que é inevitável e definitivo, mas a oportunidade para decidirmos como queremos passar o resto do tempo que temos, numa espera silenciosa e agodizante, vendo a vida a passar do lado de lá da janela ou simplesmente fazendo parte dela no lado certo dessa janela que separa os vivos daqueles que morrem prematuramente mesmo antes do fim. O amor - mesmo que com os dias contados - é sempre uma opção, mesmo que o tempo que nos levará invariavelmente a todos de volta ao pó acabe por apagar as memórias de quem um dia fomos e do que quisemos ser, a todos sem excepção, cancerosos ou não, brancos ou pretos, populares ou perfeitos desconhecidos, todos seremos esquecidos por aqueles que nos seguiram e nos idolatraram, mas nunca por quem nos amou, porque não há no universo dor maior  - nem mesmo a doença - que perder alguém que amamos.  Com um elenco principal tendo por base jovens quase desconhecidos (Ansel Elgort entrou na nova versão de Carrie e  juntamente com Sahilene Woodley contracenaram em Divergente), é nos papéis secundários que se encontram os nomes de peso como Laura Dern e Willem Dafoe, também eles preponderantes neste belíssimo filme. Imprescindivel para aqueles que sabem o que é ter alguém a quem gostam mais do que de si próprios. Ok?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CAMINHOS PERIGOSOS - Um cocktail explosivo

Ao princípio era Eva e Adão. Ele, uma espécie de sir Galahad com o ego inflamado pelo sucesso. Ela, qual donzela desprotegida, lobo em pele de cordeiro, daquelas a quem fazemos constantemente promessas vãs enquanto aproveitamos para confortar num abraço ou mais as suas curvas sinuosas moldadas por pouca roupa ou nenhuma. Caminhos perigosos quando se juntam, ingenuídade e malícia, um daqueles cocktails capazes de transformar um super-herói num farrapo inútil, uma marioneta balançando às cegas num jogo de sombras do gato e do rato onde nem tudo o que parece é e o rei e a raínha se movem num tabuleiro minado de peões dúbios. O sexo no enredo como na vida surge como um meio, algo insídioso travestido de amor mas tão despido de sentimentos como Embeth Davidtz de roupa quando se apanha "desprevenida" nos braços de Branagh, um meio, nunca um fim, que esse foi, é e será sempre o vil metal, a riqueza que nos poe acima das necessidades e nos traz o poder, o patamar acima da maioria dos mortais. O mestre Grisham (O Juri, Tempo de Matar, O Cliente, Dossier Pelicano ou A Firma) conseguiu juntar um naipe de excelentes trunfos como Kenneth Branagh, Embeth Davidtz, Robert Downey Jr, Daryl Hannah, Tom Berenger, Robert Duval ou Famke Janssen, manipulando-os a seu bel-prazer, quer atraíndo o espectador como confundindo-o no minuto seguinte onde Grisham é exímio.