Entre o riso e o choro, o drama da vida ou a comédia a cores ou a preto e branco. A verdade escondida que nos faz pensar e crescer, meras coincidências que nos dizem tanto ou quase nada, momentos bem passados de preferência partilhados, numa boa companhia e num pacote de pipocas.

terça-feira, 4 de junho de 2013

MAIS UMA ESTRELA NO CÉU


Faleceu no passado dia 31 de Maio, aos 90 anos e devido a causas naturais, a actriz Jean Stapleton, conhecida de muitos de nós pela sua personagem de esposa de Archie Bunker na série "Uma Família às Direitas".  A série ganhou especial relevo pela forma humorística mas séria como abordava temas delicados desde o racismo, o direito das mulheres ou mesmo a homossexualidade, conquistando facilmente o coração, não apenas dos americanos como ainda dos portugueses de várias gerações. Nascida em Janeiro de 1923, em Nova Iorque, cidade onde faleceu, Jean foi nove vezes nomeada para os Globos de Ouro, vencendo esse prémio em 73 e 74 pelo seu papel de Edith Bunker. No cinema contracenou com John Travolta em Michael e Você Tem Uma Mensagem, com Tom Hanks e Meg Ryan.

sábado, 30 de março de 2013

PLAY IT AGAIN, SAM!

Era impossível não se lembrar de Rick Blaine naquele momento. Curioso que por mais anos que se passassem desde a última vez que vira aquele filme ainda se lembrasse tão bem do nome das personagens. Contudo, não era a famosa cena do piano que lhe vinha tantas vezes à memória, nem a inesquecivel melodia, mas sim a cena do aeroporto onde um fleumático e imperturbável Bogart desejava felicidades a Victor e a Ilsa. Há poucas dores maiores do que essa manifestação latente de altruísmo. Sabia-o perfeitamente, de já ter passado por elas mais do que uma vez, umas vezes com mais sinceridade e dificuldade do que outras. Podem dizer que é um acto nobre o de abdicar da própria felicidade, de uma das poucas razões que nos levam a acordar dia após dia com vontade de seguir em frente, em detrimento da felicidade da pessoa amada. Que se foda a nobreza! Ela chamara-o de complicado, depois de dizer uma vez mais que o amava. Ele sabia que era algo mais, para além de todas as desculpas pouco convincentes que treinara antes de se encontrar com ela. A falta de coragem não era um acto nobre nem altruísta. Parecia fácil para Bogart, hipotecar assim a última réstea de esperança e mesmo assim manter aquela pose que só Bogart tinha e que lhe fazia a ele sentir uma devastadora e redutora sensação de fragilidade. Os homens não choram. Bogart não chorava. Mas ele sim. Fê-lo, por dentro, quando ela lhe perguntou se ele não ía lutar pelo que ambos sentiam. E Rick? Os dois tinham atirado a toalha ao chão, com a diferença que o outro continuava ali, imperturbável, com aquele ar de "não estou nem aí" que agora o irritava solenemente, uma pedra de gelo incapaz de sentir quaisquer remorsos. Foi nessa altura que compreendeu, tantas vezes tinha visto aquele filme e nunca dera por isso: Rick não amava Ilsa, não daquela maneira que ele concebia que o amor devia ser para ser amor, total. "Play it again, Sam!", que bom seria se a vida fosse uma canção que pudessemos simplesmente voltar a tocar.

sexta-feira, 29 de março de 2013

METAMORFOSES

SCARLETT JOHANSSON

2013 under the skin

2012 hitchcock
1994 north
1997 sozinho em casa 3

1998 o encantador de cavalos

2004 a good woman

2003 o amor é um lugar estranho

2004 perfect score

2006 scoop

2005 match point

2008 the spirit

2010 homem de ferro 2

QUE É FEITO DE...

Estavamos em 1979 e se bem que poucos soubessem o seu nome, Justin Henry era um dos protagonistas de um filme que contava com Dustin Hoffman e Meryl Streep como cabeças de cartaz. Kramer Contra Kramer viria a receber os Oscares para o melhor filme, melhor realizador, melhor actor e melhor actriz secundária, tendo Justin recebido uma nomeação para melhor actor secundário. Poderia pensar-se que estava a começar ali uma grande carreira, mas Justin não saltou para as luzes da ribalta, preferindo manter-se no anonimato nos restantes cinco filmes em que participou (até 2009), como ainda na sua vida como jogador de poker, tendo ficado em 235º lugar no 2009 World Series of Poker. Justin Henry é ainda director regional de vendas da empresa Veoh, ligada à televisão através da internet.




quinta-feira, 28 de março de 2013

POR OUTRAS PALAVRAS E RAZÕES

 Nos últimos dias, a ACAPOR (Associação que representa os videoclubes) foi responsável pelo fecho de três sites de partilha de conteúdos online, numa guerra que já dura há bastante tempo, mas que só agora começa a tornar contornos definitivos e dramáticos para estes sites. Aliás, este tema já fez correr muita tinta, nos jornais, como também e principalmente na internet e na blogosfera, com as opiniões a repartirem-se por um sem número de argumentos mais ou menos válidos. Queixa-e a ACAPOR e não só do decréscimo de vendas de filmes e cds de música, da diminuição dos lucros nas bilheteiras do cinema e e eu concordo com isso, tão claros são os números, inequívocos. Mas será essa a principal razão desta perseguição semelhante a uma guerra santa, à inquisição, de quando se matavam pessoas - muitas pessoas - em nome de uma religião, da diferença de credo ou de opinião?
 Sabe-se que existem valores financeiros demasiado altos para serem ignorados, não apenas dos direitos de imagem dos artistas mas sobretudo de todos quantos - e são muitos - pertencem a este universo comercial, alimentando-se quase sem dó nem piedade do maior quinhão de receita, deixando para os seus principais intervenientes, actores, cantores, autores, etc, uma pequena parcela que os manterá dependentes de uma indústria que tão depressa cria ídolos como os substitui pelo primeiro fenómeno do youtube que surja. Temo - espero - que do vazio criado por estes sites encerrados se ergam outros, bastantes, mais fortes e perseverantes, que contribuam essencialmente, não para a "morte" do artista português mas para uma internet em que os seus conteúdos estejam ao alcance de todos, pobres e ricos, como corrente de cultura, essa que sem sites como estes que acabaram de encerrar, dificilmente chegaria às nossas mãos ou sequer conhecimento, esses conteúdos dispendiosos no circuito comercial ou que pura e simplesmente, na maior parte dos casos, nem sequer chegam às lojas. Estivessem os livros a um preço mais acessível, fomentasse-se a leitura, colocassem os bilhetes de cinema mais baratos, a pipoca e a coca-cola, aumentassem o poder de compra... mas eu não sei nada de política ou de leis. Sei que os cds e dvds originais têm melhor qualidade do que os pirateados, e dentro do possível aconselho a sua compra, como muitas outras coisas que todos sabemos serem correctas ou fazerem melhor e nós não seguimos. Até lá, como é mais fácil fazer-se juz de uma força desigual, vai-se continuando a eliminar alguns empreendedores independentes como quem tira pedras do sapato - não vá alguma ser pastilha elástica - e deixa-se o fundamental por fazer, por manifesta falta de interesse ou pura e simplesmente por uma conveniência que nada tem a ver com a tão propalada defesa dos direitos dos artistas e dos autores portugueses.


domingo, 24 de março de 2013

LOVERS VANISHED

 "Uma vez você me perguntou: viver a vida inteira sem ver o mar ou reduzir sua vida e vê-lo uma vez? Qual escolheria?"


"Lovers Vanished ou Stormy Night é um filme coreano independente de 2010, que assume corajoramente o controverso tema da AIDS, ao acompanhar a fatídica relação entre um criminoso em fuga e uma jovem mulher, com um passado trágico. A temática do filme se insere, quando Mia (Hwang Woo Soul) encontra seu amante, mágico, San Byun (Jung Yun Min) com seu namorado homossexual, em quem ela dispara, acidentalmente. San Byung assume a culpa pelo crime e conhece na penitenciária Su In (Kim Nam Gil), um jovem que foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa, um crime que ele alega não ter cometido.


 Acreditando que seria libertado por razões humanitárias, Su In injeta-se com o sangue contaminado de Sang Byun, apenas para descobrir que somente será transferido para um hospital penitenciário. Desesperado para encontrar o amante de sua esposa e o seu real assassino, ele consegue fugir e o encontra (Kim Jae Rok), só para testemunhar o seu suicídio. Desesperançado em viver, Su In se encaminha para um remoto café em Jeju, seguindo as instruções Sang Byun, lá ele encontra Mia. Floresce um gradual sentimento entre ambos, a polícia contudo, está cada vez mais perto de Su In. Parece muito pouco provável que os dois tenham uma real chance de felicidade."


Pensei em começar a descrever este filme como a história de três seres abandonados pela fortuna, mas estaria a mentir. Mia, San Byung e Su In escolheram o seu próprio destino, escolheram ser felizes e são-no, de uma forma talvez atípica, cada um à sua maneira, mesmo que isso implique a sua liberdade ou longevidade. Mas de que vale a vida se não podermos estar com a pessoa que amamos? Por isso Su In não hesitou quando a vida o colocou perante a pergunta com que abri esta postagem, mesmo sabendo que provavelmente viveria menos tempo do que se fosse entregar às autoridades, mesmo sabendo que se arriscava a fazer de Mia sua cumplice. Em A Verdadeira História de Jack, O Estripador, a personagem de Johnny Deep prefere afastar-se de Heather Graham de forma a não colocar a vida dela em risco. Talvez ele não a amasse. Talvez ele - supostamente o herói, o tipo certinho, do lado bom da sociedade - apenas sentisse, não condescendência, mas uma atracção pela pureza de quem "supostamente" deveria personificar o lado errado, a impura pela sua personificação de prostituta. Aqui, Su In não é vilão nem herói, como não o são nenhum dos personagens retratados, à excepçao de um inescrupuloso vizinho de Mia. Em Lovers Vanished existem vítimas, sobreviventes, pessoas que não desistem da vida e da felicidade, do carácter, mesmo doentes, mesmo estando limitados pelas grades de uma prisão.


 E vocês, que escolheriam? Uma hora de amor ou uma vida inteira, longa sem nunca amarem?