Entre o riso e o choro, o drama da vida ou a comédia a cores ou a preto e branco. A verdade escondida que nos faz pensar e crescer, meras coincidências que nos dizem tanto ou quase nada, momentos bem passados de preferência partilhados, numa boa companhia e num pacote de pipocas.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O AMOR PODE SER DIVINO

Mais um bom exemplo do bom cinema coreano, este Love So Divine, de 2004, com Ha Ji-Won e Kwon Sang-Woo como protagonistas de uma bela história sobre amor, fé e devoção, numa temática sempre actual e tão controversa sobre as possibilidades de um homem de Deus poder amar uma mulher, uma família sem descurar as suas obrigações, a sua devoção como elemento do clero.

Num tom geralmente de comédia, este filme apresenta-nos a história de um jovem prestes a tornar-se sacerdote e as suas dúvidas quanto à força da sua fé.


Dúvidas que aumentam depois de conhecer Yang Bong-hie, uma jovem cuja personalidade vai contra tudo o que ele toma como correcto. Restam-lhe a partir daí duas opções: converter a jovem ou renegar ele próprio às suas próprias convicções e ao seu futuro religioso.


No geral, a ideia com que fico deste filme - bastante agradável - é a de estar a presenciar cinema no seu estado mais puro, no que se refere às emoções dos personagens, apesar de continuar a achar os personagens masculinos dos filmes coreanos demasiado ingénuos e apalermados, enquanto elas surgem, na maioria das vezes, como destrambelhadas e autoritárias. Imagino que daria um excelente resultado um remake americano - ao estilo dos clássicos - com particular incidência na parte dramática do filme (a parte final é muito boa) em detrimento da comédia.

ANJOS & DEMÓNIOS

Tinha alguma curiosidade em ver Anjos & Demónios, depois do êxito e da controvérsia gerada pelo anterior O Código d'a Vinci. Todavia, bastaram os primeiros minutos deste novo confronto entre a religião e a ciência, protagonizado por Robert Langdon (Tom Hanks continua a ser um dos actores mais crediveis do panorama actual do cinema americano), para me aperceber que estava perante um filme diferente do seu antecessor, para melhor.

Em Anjos & Demónios mantém-se a tentativa de descredibilizar alguns dos frágeis alicerces que suportam a religião católica, critícam-se certos comportamentos e valores, num ataque que desta vez não visa a figura de Deus - como no primeiro filme -, mas o coração do cristianismo, o próprio Vaticano.


As grandes diferenças residem, no entanto em dois pontos fundamentais. Primeira: Em Anjos & Demónios não existem pontos mortos, não há lugar a "paragens" para nos explicarem - como se fossemos muito burros - o que se está a passar e o porquê de cada dedução do protagonista, como acontecia tantas vezes no filme anterior, tornando-o interessante mas aborrecido para alguns. Anjos & Demónios é um filme sobre os mistérios da Igreja, mas é também um filme de acção, muita acção.

A segunda grande diferença é perceptível após os primeiros minutos do filme. Apesar de continuar a atacar valores morais, organizativos ou a corrupção de alguns elementos do clero a valores que nada têm a ver com o espírito religioso, assim como algumas estocadas subtis à ostentação bem evidente nas altas instâncias do Vaticano, existe uma tentativa de Dan Brown em atenuar as suas relações com a Igreja, tentando de maneira simpática mas raramente conseguida, justificar certas críticas, certos valores, ao dar-lhe uma imagem diferente, humanizando-a, tornando-a por isso imperfeita, mais sujeita aos pecados dos Homens. Como se diz perto do final: "A religião é imperfeita (...), mas apenas porque o Homem é imperfeito".

SPEED SCANDAL

Speed Scandal é um filme coreano de 2008, que conta a forma como a vida privada e super organizada de um apresentador de rádio se vê em perigo com a probabilidade de um escândalo familiar. Com Cha Tae-Hyeon (que já vi em My Mighty Princess, Windstruk ou My Sassy Girl), Park Bo-Yeong e o engraçadissimo e ternurento Hwang Seok-Yeon nos principais papéis, este filme é uma divertida comédia para todas as idades.




ALTAMENTE

UP - Altamente, é mais um projecto da Pixar, que aconselho vivamente a ver, desde que evitem a versão 3D , realmente muito fraquinha, já que, por vezes se consegue ver melhor o filme sem o auxílio dos óculos. O resto é, como o próprio nome do filme nos diz: Altamente.
Altamente logo de início a Curta com a nuvem, a exemplo da maior parte das curtas da Pixar. Altamente ainda a história de amor que nos é apresentada no início e que continua, embora de forma implícita no resto do filme, como mote para a grande aventura a que o protagonista se propõe realizar. O desfecho, não diria trágico, mas natural deste romance logo nos primeiros instantes, dá ao filme um toque real, dramático, que tantas vezes vimos arredado deste género de filmes, onde raramente alguém morre, nem mesmo os maus.


Altamente o feitio rezingão do velho que se auto exclui de um mundo em renovação para se "enterrar" em vida nas memórias de um passado feliz, mas a que terá faltado algo mais. Engraçada também a figura do menino escuteiro, insistente, muitas vezes trapalhão, à procura de ajudar o protagonista para conseguir a medalha que lhe falta.

Altamente ainda as cenas com os cães, todos - e são muitos -, sobretudo as do líder do grupo quando tem o aparelho que lhe permite falar avariado. Não via um grupo de pretensos vilões tão desastrado e simpático desde os primeiros Sozinho em Casa.

Para terminar, muito interessante e original a história, com duas ideias muito interessantes e que valem a pena destacar: Será uma casa ou mesmo os objectos que a recheiam assim tão importantes para preservar a memória de alguém que já não está connosco? A segunda questão relevante prende-se com o mote impulsionador de toda a história do filme, a aventura das nossas vidas e que, na vida real é diversas vezes conotada com "a viagem que nunca chegámos a fazer", ou com todos os sonhos que ficaram por realizar. Será que a maior aventura das nossas vidas estará em lugares tão distantes e inóspitos ou em realizar façanhas tão mirabolantes ou experimentar milhares de coisas novas? Às vezes a maior aventura das nossas vidas está nas coisas que achamos chatas do dia a dia, nos pequenos detalhes tão próximos a que raramente damos valor. A vida, o amor, é a maior aventura de todas, saber viver e utilizar da melhor das formas o amor que damos e o que recebemos é o segredo apenas ao alcance de uns poucos.

BE WITH YOU


Be With You é um filme Japonês de 2005 e basta uma olhadela atenta ao seu título para compreender a sua mensagem, aquilo que é realmente importante. Ele conta a história de Takumi, que vive sozinho com Yuji, o seu filho de 6 anos, depois que a sua jovem esposa faleceu. A vida não é fácil para ele, duvidando não ser capaz de dar a melhor educação para o filho e de não ter amado Mio o suficiente. O desenrolar desta história dá-se a partir de um livro deixado pela sua mulher, em que fala do seu regresso durante a época das chuvas, motivo para que tanto pai e filho acreditem que voltarão a ser uma família completa e feliz. No final, duas ideias ficam no ar: a de que devemos sempre arriscar a dizer o que sentimos e não refugiarmo-nos no medo de não sermos correspondidos e, não menos importante, por muito curto que seja o tempo dedicado ao amor e à felicidade, devemos vivê-lo. Um mês, dois, três meses podem muitas vezes significar uma vida inteira e valer bem mais que anos e anos escondido à sombra dos sentimentos sem recordações que nos lembrem que houve um dia... fomos felizes.

UM FILME MÁGICO

 Originário do Japão chegou-me às mãos Heavenly Forest que poderia à primeira vista ser apenas mais uma história de um triângulo amoroso no seio de um grupo de estudantes da mesma escola. Mas este filme é muito mais do que isso, provando que ainda é possível encontrar alguma magia no cinema actual, apesar de todos os interesses de bilheteira e dos blockbusters. Makoto (Tamaki Hiroshi) é um rapaz tímido atraído por Miyuki (Kuroki Meisa), a rapariga mais bonita da turma e por quem parecem estar todos interessados, reduzindo o seu sonho a uma espécie de missão impossível. Por fim, a completar o trio surge Shizuru (Miyazaki Aoi), uma espécie de Betty Feia asiática obcecada por Makoto, que a ensina a fotografar. Com o desenrolar do filme o que parecia vir a ser um daqueles romances insípidos torna-se gradualmente num belíssimo filme capaz de levar às lágrimas os mais incautos, com o magnetismo de Miyazaki Aoi a roubar positivamente o protagonismo do filme, mostrando-nos que os patinhos feios podem virar cisnes e que o amor pode efectivamente matar. Um belo exemplo do bom cinema asiático, um mercado que insiste em ser ainda um parente pobre no meio cinematográfico nacional.







 



ETERNAL SUMMER

 Eternal Summer é um filme para se ver com atenção e sem ideias preconceituosas. Do realizador Leste Chen, este filme de Taiwan dá-nos a conhecer a história de dois jovens desde os seus primeiros tempos no colégio, Jonathan, o rapaz tímido e bem comportado e o adolescente problemático Shane, aos quais se juntará mais tarde Carrie, uma rapariga que irá despoletar uma reacção na até então serena relação entre os dois amigos, fazendo-os questionar o que realmente sentem entre eles, com muitas incertezas à mistura, mas tornando-os adultos mais depressa do que pensavam. Eternal Summer não é apenas um filme que toca a temática gay, mas muito mais que isso, um filme de emoções e sentimentos, de como a mais forte das relações pode muitas vezes estar pendente de uma linha frágil e ténue, delicada.