Entre o riso e o choro, o drama da vida ou a comédia a cores ou a preto e branco. A verdade escondida que nos faz pensar e crescer, meras coincidências que nos dizem tanto ou quase nada, momentos bem passados de preferência partilhados, numa boa companhia e num pacote de pipocas.

quarta-feira, 6 de março de 2013

ALTAMENTE

UP - Altamente, é mais um projecto da Pixar, que aconselho vivamente a ver, desde que evitem a versão 3D , realmente muito fraquinha, já que, por vezes se consegue ver melhor o filme sem o auxílio dos óculos. O resto é, como o próprio nome do filme nos diz: Altamente.
Altamente logo de início a Curta com a nuvem, a exemplo da maior parte das curtas da Pixar. Altamente ainda a história de amor que nos é apresentada no início e que continua, embora de forma implícita no resto do filme, como mote para a grande aventura a que o protagonista se propõe realizar. O desfecho, não diria trágico, mas natural deste romance logo nos primeiros instantes, dá ao filme um toque real, dramático, que tantas vezes vimos arredado deste género de filmes, onde raramente alguém morre, nem mesmo os maus.


Altamente o feitio rezingão do velho que se auto exclui de um mundo em renovação para se "enterrar" em vida nas memórias de um passado feliz, mas a que terá faltado algo mais. Engraçada também a figura do menino escuteiro, insistente, muitas vezes trapalhão, à procura de ajudar o protagonista para conseguir a medalha que lhe falta.

Altamente ainda as cenas com os cães, todos - e são muitos -, sobretudo as do líder do grupo quando tem o aparelho que lhe permite falar avariado. Não via um grupo de pretensos vilões tão desastrado e simpático desde os primeiros Sozinho em Casa.

Para terminar, muito interessante e original a história, com duas ideias muito interessantes e que valem a pena destacar: Será uma casa ou mesmo os objectos que a recheiam assim tão importantes para preservar a memória de alguém que já não está connosco? A segunda questão relevante prende-se com o mote impulsionador de toda a história do filme, a aventura das nossas vidas e que, na vida real é diversas vezes conotada com "a viagem que nunca chegámos a fazer", ou com todos os sonhos que ficaram por realizar. Será que a maior aventura das nossas vidas estará em lugares tão distantes e inóspitos ou em realizar façanhas tão mirabolantes ou experimentar milhares de coisas novas? Às vezes a maior aventura das nossas vidas está nas coisas que achamos chatas do dia a dia, nos pequenos detalhes tão próximos a que raramente damos valor. A vida, o amor, é a maior aventura de todas, saber viver e utilizar da melhor das formas o amor que damos e o que recebemos é o segredo apenas ao alcance de uns poucos.

BE WITH YOU


Be With You é um filme Japonês de 2005 e basta uma olhadela atenta ao seu título para compreender a sua mensagem, aquilo que é realmente importante. Ele conta a história de Takumi, que vive sozinho com Yuji, o seu filho de 6 anos, depois que a sua jovem esposa faleceu. A vida não é fácil para ele, duvidando não ser capaz de dar a melhor educação para o filho e de não ter amado Mio o suficiente. O desenrolar desta história dá-se a partir de um livro deixado pela sua mulher, em que fala do seu regresso durante a época das chuvas, motivo para que tanto pai e filho acreditem que voltarão a ser uma família completa e feliz. No final, duas ideias ficam no ar: a de que devemos sempre arriscar a dizer o que sentimos e não refugiarmo-nos no medo de não sermos correspondidos e, não menos importante, por muito curto que seja o tempo dedicado ao amor e à felicidade, devemos vivê-lo. Um mês, dois, três meses podem muitas vezes significar uma vida inteira e valer bem mais que anos e anos escondido à sombra dos sentimentos sem recordações que nos lembrem que houve um dia... fomos felizes.

UM FILME MÁGICO

 Originário do Japão chegou-me às mãos Heavenly Forest que poderia à primeira vista ser apenas mais uma história de um triângulo amoroso no seio de um grupo de estudantes da mesma escola. Mas este filme é muito mais do que isso, provando que ainda é possível encontrar alguma magia no cinema actual, apesar de todos os interesses de bilheteira e dos blockbusters. Makoto (Tamaki Hiroshi) é um rapaz tímido atraído por Miyuki (Kuroki Meisa), a rapariga mais bonita da turma e por quem parecem estar todos interessados, reduzindo o seu sonho a uma espécie de missão impossível. Por fim, a completar o trio surge Shizuru (Miyazaki Aoi), uma espécie de Betty Feia asiática obcecada por Makoto, que a ensina a fotografar. Com o desenrolar do filme o que parecia vir a ser um daqueles romances insípidos torna-se gradualmente num belíssimo filme capaz de levar às lágrimas os mais incautos, com o magnetismo de Miyazaki Aoi a roubar positivamente o protagonismo do filme, mostrando-nos que os patinhos feios podem virar cisnes e que o amor pode efectivamente matar. Um belo exemplo do bom cinema asiático, um mercado que insiste em ser ainda um parente pobre no meio cinematográfico nacional.







 



ETERNAL SUMMER

 Eternal Summer é um filme para se ver com atenção e sem ideias preconceituosas. Do realizador Leste Chen, este filme de Taiwan dá-nos a conhecer a história de dois jovens desde os seus primeiros tempos no colégio, Jonathan, o rapaz tímido e bem comportado e o adolescente problemático Shane, aos quais se juntará mais tarde Carrie, uma rapariga que irá despoletar uma reacção na até então serena relação entre os dois amigos, fazendo-os questionar o que realmente sentem entre eles, com muitas incertezas à mistura, mas tornando-os adultos mais depressa do que pensavam. Eternal Summer não é apenas um filme que toca a temática gay, mas muito mais que isso, um filme de emoções e sentimentos, de como a mais forte das relações pode muitas vezes estar pendente de uma linha frágil e ténue, delicada.






PECADO E REDENÇÃO

 Love Me Not é um filme sul-coreano de 2006 sobre pecado e redenção. É um filme duro que nos enternece, um filme de promessas nunca concretizadas, no que ao amor e à maldade dizem respeito, se exceptuarmos a dívida - essa sim levada até ao fim -, que acaba por ser a mola impulsionadora de toda a história dramática protagonizada por dois brilhantes actores sul-coreanos, um convincente Ju-Hyuk Kim (My Wife Got Married, Blue Swallow ou When Romance Meets Destiny) e uma das faces mais magnetizantes do novo cinema coreano, Moon Geun Young (Innocent Steps, My Little Bride ou A Tale of Two Sisters), sublime no papel de uma jovem cega num mundo cheio de maldade.





  À imagem da própria vida, o filme foge aos moralismos piegas de outros filmes, onde o arrependimento quase sempre se mostra suficiente para que tudo termine em bem. Apesar de tudo, Love Me Not é um filme onde a beleza rude de algumas imagens chega a ser poética e os sentimentos dos personagens divergem quase sem se dar por isso, num conflito de valores onde a falta de amor é comum a todos os intervenientes.




UMA DUPLA COMPETENTE


Sem margem para discussões, Robin Hood, versão 2010 realizada por Ridley Scott é tudo menos consensual. Este Robin não é o aventureiro galã, personagem que catapultou Errol Flynn para a fama, sempre ardiloso na luta pelos fracos e oprimidos, em batalhas onde raramente alguém ficava demasiado ferido ou morria. Não é ainda o herói protagonizado por Kevin Costner, que com a ajuda de um Morgan Freeman muçulmano conseguiu derrotar os vilões, onde até se incluía uma bruxa, num filme com bastante acção, sangue e alguma (qb) sensualidade. Este Robin Hood de Russel Crowe é, pela caracterização, pelas vestes, por bastantes pontos de contacto entre as duas personagens, quase o Gladiador, filme no qual a dupla Ridley/Crowe também brilhou. Inevitáveis talvez, as comparações, sempre injustas quando do outro lado da balança está um filme bastante aclamado pela crítica. Este filme tem ainda bastantes imprecisões históricas, argumento usado por quem se esquece estar perante um filme de aventuras cujo objectivo primordial é distrair o público.
 Todo o seu enredo, de grande cariz político - ao contrário dos seus antecessores - leva-nos a um período histórico anterior ao dos restantes Robin, antes dos bosques, antes de se ter tornado o herói perseguido de que reza a história. Por momentos, como já me tinha sucedido com o último Sherlock Holmes, achei que se o filme tivesse outro nome que não o da famosa personagem, poderia ser um filme bastante bom - que é - expondo-se à maior parte das críticas dirigidas. Russell pode não ser tão expressivo como Costner, nem tão apaixonado como Flynn, mas é um dos actores mais competentes do actual panorama cinematográfico e a sua dupla com a sempre excelente Cate Blanchet funciona, sem precisar de outros artifícios mais apimentados. Da mesma forma que cenas tão inverosímeis como os cavalos a abrirem com as suas patas os portões de um forte, de uma Lady Maryam que se mete em cima de um cavalo e irrompe pela batalha qual padeira de Aljubarrota, mas aqui derrubando inúmeros soldados franceses, não são menos credíveis do que as cenas que vimos no Transporter ou em tantos outros filmes de aventuras, porque é isso que importa num filme de aventuras, o entretenimento e isso, como no Gladiador, Ridley Scott consegue-o, com boas cenas de batalha, grandes cenários e um naipe de actores excelente.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

AND THE OSCAR GOES TO...


 A 85.ª edição dos Óscares decorreu esta madrugada dentro, no Dolby Theatre, em Los Angeles, numa cerimónia apresentada pelo comediante Seth MacFarlane. Ao longo de três horas foram atribuídas 24 estatuetas.

Melhor Realizador
Ang Lee - «A Vida de Pi»













Melhor Filme
«Argo»

  



















Melhor Atriz Secundária
Anne Hathaway - «Os Miseráveis»

















Melhor Atriz Principal
Jennifer Lawrence - «Silver Linings Playbook»

















Melhor Ator Principal
Daniel Day-Lewis - «Lincoln»














Melhor ator secundário
Cristoph Waltz, «Django Libertado»

















Melhor argumento adaptado:
"Argo"

Melhor argumento original:
"Django Libertado"

Melhor filme estrangeiro (de língua não inglesa):
"Amor" (Áustria)

Melhor filme de animação:
"Brave"















Melhor documentário:
"Searching for sugar man"

Melhor documentário em curta-metragem:
"Inocente"


Melhor curta-metragem:
"Curfew"

Melhor curta-metragem de animação:
"Paperman"

Melhor produção artística:
"Lincoln"

Melhor fotografia:
"A vida de Pi"

Melhor montagem:
"Argo"

Melhor caracterização:
"Os miseráveis"

Melhor guarda-roupa:
"Anna Karenina"

Melhor Banda-sonora original
«Life of Pi» (Mychael Danna)

Melhor Canção original
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" - Adele (música e letra)

Melhor montagem de som:
"Skyfall"
"00:30 Hora Negra"

Melhor mistura de som:
"Os miseráveis"

Melhores efeitos visuais:
"A vida de Pi"