Spider Lilies é um drama de 2007,
originário de Taiwan e realizado por Zero Chou, mais um filme asiático que passou longe das nossas redes comerciais, com Rainie Yang e
Isabella Leong como protagonistas de uma relação lésbica. Mas vão muito
mais além os motivos de interesse deste filme diferente, denso,
interessante e bonito do ponto de vista humano, como as repercussões que
os nossos actos podem ter nas pessoas que amamos ou como as podemos
ferir quando pensamos estar a lutar pela nossa felicidade. Devemos
seguir os nossos sentimentos mesmo quando sabemos que iremos magoar
pessoas que amamos?
quarta-feira, 6 de março de 2013
SPIDER LILIES
Spider Lilies é um drama de 2007,
originário de Taiwan e realizado por Zero Chou, mais um filme asiático que passou longe das nossas redes comerciais, com Rainie Yang e
Isabella Leong como protagonistas de uma relação lésbica. Mas vão muito
mais além os motivos de interesse deste filme diferente, denso,
interessante e bonito do ponto de vista humano, como as repercussões que
os nossos actos podem ter nas pessoas que amamos ou como as podemos
ferir quando pensamos estar a lutar pela nossa felicidade. Devemos
seguir os nossos sentimentos mesmo quando sabemos que iremos magoar
pessoas que amamos?
O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Daisy: Would you still love me if I were old and saggy?
Benjamin Button: Would you still love ME if I were young and had acne? When I'm afraid of what's under the bed? Or if I end up wetting the bed?
Confesso
que não sou grande apreciador dos filmes nomeados para os Óscares.
Nunca fui. A maior parte tem-me desiludido, talvez por colocar uma
fasquia alta nas minhas expectativas. Por isso não me admirei depois de
ver a história de Benjamin Button pela primeira vez. Um bom filme, mas
nada por aí além, pensei. Agora, após vê-lo pela segunda vez, penso que
há algo mais neste filme, para além da originalidade da história. Para
já, fez-me mudar de ideias quanto ao agradável que seria nascer velho e
ir rejuvenescendo, a exemplo da personagem bem interpretada por Brad
Pitt. A ideia de irmos ficando mais novos vendo envelhecer os nossos
entes mais queridos é assustadora. Espero ainda ver mais um ou outro
filme candidato à famosa estatueta dourada, mas para já, este curioso
Benjamin é o meu favorito, num filme que considero imperdivel a quem
goste de filmes que nos deixem a pensar.
MAIS DO QUE UM FILME, UM POEMA

Quem, de entre aqueles que já tentaram ou escreveram poesias, nunca rimou amor com dor? Daisy é assim, muito mais que um filme, uma poesia bela e triste sobre o amor e sobre a forma como ele nos fragiliza. Este filme coreano é centrado na interacção de três personagens, a doce e frágil figura feminina (protagonizada por Jeon Ji-hyeon, que tive o prazer de assistir em A Man Who Was Superman, Windstruck, My Sassy Girl ou Il Mare), o mocinho e o bandido, apaixonados pela mesma mulher num duelo de emoções que raramente resultam em felicidade, antes pelo contrário. Um filme sensível para quem gosta de relações impossíveis.
O AMOR PODE SER DIVINO
Mais um bom exemplo do bom cinema
coreano, este Love So Divine, de 2004, com Ha Ji-Won e Kwon Sang-Woo
como protagonistas de uma bela história sobre amor, fé e devoção, numa temática sempre actual e tão controversa sobre as possibilidades de um homem de Deus poder amar uma mulher, uma família sem descurar as suas obrigações, a sua devoção como elemento do clero.
Num
tom geralmente de comédia, este filme apresenta-nos a história de um
jovem prestes a tornar-se sacerdote e as suas dúvidas quanto à força da
sua fé.
Dúvidas
que aumentam depois de conhecer Yang Bong-hie, uma jovem cuja
personalidade vai contra tudo o que ele toma como correcto. Restam-lhe a
partir daí duas opções: converter a jovem ou renegar ele próprio às
suas próprias convicções e ao seu futuro religioso.

No geral, a ideia com que fico deste filme - bastante agradável - é a de estar a presenciar cinema no seu estado mais puro, no que se refere às emoções dos personagens, apesar de continuar a achar os personagens masculinos dos filmes coreanos demasiado ingénuos e apalermados, enquanto elas surgem, na maioria das vezes, como destrambelhadas e autoritárias. Imagino que daria um excelente resultado um remake americano - ao estilo dos clássicos - com particular incidência na parte dramática do filme (a parte final é muito boa) em detrimento da comédia.
ANJOS & DEMÓNIOS
Tinha alguma curiosidade em ver Anjos
& Demónios, depois do êxito e da controvérsia gerada pelo anterior O
Código d'a Vinci. Todavia, bastaram os primeiros minutos deste novo
confronto entre a religião e a ciência, protagonizado por Robert Langdon
(Tom Hanks continua a ser um dos actores mais crediveis do panorama
actual do cinema americano), para me aperceber que estava perante um
filme diferente do seu antecessor, para melhor.
Em
Anjos & Demónios mantém-se a tentativa de descredibilizar alguns
dos frágeis alicerces que suportam a religião católica, critícam-se
certos comportamentos e valores, num ataque que desta vez não visa a
figura de Deus - como no primeiro filme -, mas o coração do
cristianismo, o próprio Vaticano.
As
grandes diferenças residem, no entanto em dois pontos fundamentais.
Primeira: Em Anjos & Demónios não existem pontos mortos, não há
lugar a "paragens" para nos explicarem - como se fossemos muito burros -
o que se está a passar e o porquê de cada dedução do protagonista, como
acontecia tantas vezes no filme anterior, tornando-o interessante mas
aborrecido para alguns. Anjos & Demónios é um filme sobre os
mistérios da Igreja, mas é também um filme de acção, muita acção.
A
segunda grande diferença é perceptível após os primeiros minutos do
filme. Apesar de continuar a atacar valores morais, organizativos ou a
corrupção de alguns elementos do clero a valores que nada têm a ver com o
espírito religioso, assim como algumas estocadas subtis à ostentação
bem evidente nas altas instâncias do Vaticano, existe uma tentativa de
Dan Brown em atenuar as suas relações com a Igreja, tentando de maneira
simpática mas raramente conseguida, justificar certas críticas, certos
valores, ao dar-lhe uma imagem diferente, humanizando-a, tornando-a por
isso imperfeita, mais sujeita aos pecados dos Homens. Como se diz perto
do final: "A religião é imperfeita (...), mas apenas porque o Homem é
imperfeito".
SPEED SCANDAL
Speed Scandal é um filme
coreano de 2008, que conta a forma como a vida privada e super
organizada de um apresentador de rádio se vê em perigo com a
probabilidade de um escândalo familiar. Com Cha Tae-Hyeon (que já vi em
My Mighty Princess, Windstruk ou My Sassy Girl), Park Bo-Yeong e o
engraçadissimo e ternurento Hwang Seok-Yeon nos principais papéis, este
filme é uma divertida comédia para todas as idades.
ALTAMENTE
UP
- Altamente, é mais um projecto da Pixar, que aconselho
vivamente a ver, desde que evitem a versão 3D , realmente muito
fraquinha, já que, por vezes se consegue ver melhor o filme sem o
auxílio dos óculos. O resto é, como o próprio nome do filme nos diz:
Altamente.
Altamente
logo de início a Curta com a nuvem, a exemplo da maior parte das curtas
da Pixar. Altamente ainda a história de amor que nos é apresentada no
início e que continua, embora de forma implícita no resto do filme, como
mote para a grande aventura a que o protagonista se propõe realizar. O
desfecho, não diria trágico, mas natural deste romance logo nos
primeiros instantes, dá ao filme um toque real, dramático, que tantas
vezes vimos arredado deste género de filmes, onde raramente alguém
morre, nem mesmo os maus.
Altamente
o feitio rezingão do velho que se auto exclui de um mundo em renovação
para se "enterrar" em vida nas memórias de um passado feliz, mas a que
terá faltado algo mais. Engraçada também a figura do menino escuteiro,
insistente, muitas vezes trapalhão, à procura de ajudar o protagonista
para conseguir a medalha que lhe falta.
Altamente
ainda as cenas com os cães, todos - e são muitos -, sobretudo as do
líder do grupo quando tem o aparelho que lhe permite falar avariado. Não
via um grupo de pretensos vilões tão desastrado e simpático desde os
primeiros Sozinho em Casa.
Para
terminar, muito interessante e original a história, com duas ideias
muito interessantes e que valem a pena destacar: Será uma casa ou mesmo
os objectos que a recheiam assim tão importantes para preservar a
memória de alguém que já não está connosco? A segunda questão relevante
prende-se com o mote impulsionador de toda a história do filme, a
aventura das nossas vidas e que, na vida real é diversas vezes conotada
com "a viagem que nunca chegámos a fazer", ou com todos os sonhos que
ficaram por realizar. Será que a maior aventura das nossas vidas estará
em lugares tão distantes e inóspitos ou em realizar façanhas tão
mirabolantes ou experimentar milhares de coisas novas? Às vezes a maior
aventura das nossas vidas está nas coisas que achamos chatas do dia a
dia, nos pequenos detalhes tão próximos a que raramente damos valor. A
vida, o amor, é a maior aventura de todas, saber viver e utilizar da
melhor das formas o amor que damos e o que recebemos é o segredo apenas
ao alcance de uns poucos.
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