Entre o riso e o choro, o drama da vida ou a comédia a cores ou a preto e branco. A verdade escondida que nos faz pensar e crescer, meras coincidências que nos dizem tanto ou quase nada, momentos bem passados de preferência partilhados, numa boa companhia e num pacote de pipocas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

DEIXA-ME ENTRAR!

"Abby é uma misteriosa miúda de 12 anos que se muda para a casa ao lado da de Owen. Owen, para além de socialmente excluido, é fortemente perseguido na escola e na sua solidão forma uma profunda ligação com a nova vizinha, sem deixar de, no entanto, reparar que Abby é diferente de toda a gente que já conheceu. À medida que uma série de sinistros assassinatos ocorrem na cidade, Owen tem de encarar o facto de que esta aparente inocente miúda é, na realidade, uma vampira."


 Matt Reeves surpreendeu muita gente ao realizar este Let Me In apenas dois anos depois do sueco Tomas Alfredson ter dirigido a versão original deste filme bem interessante que nos leva pelos caminhos do suspense e do terror - este, de uma forma ligeira -, mas que acaba por nos seduzir pela abordagem de temas tão do nosso quotidiano, como o Bullying, a forma como as nossas diferenças podem servir como meio de nos juntar ou afastar, dependendo da forma como são encaradas não apenas pela lógica da razão, mas especialmente pela do coração, que leva inclusive com que pessoas aparentemente tão estranhas entre si acabem por ser capazes de gestos tão altruístas tão pouco comuns na nossa sociedade.


 No fundo, podemos encontrar semelhanças entre a relação - também aqui alguma dependência, um certo jogo de interesses mútuos - entre o par principal deste filme e o par romântico de Crepúsculo, tão do agrado de muitos de nós, que esperam de filmes deste género bem mais do que sangue e corpos mutilados. Excelentes as actuações de Kodi Smit-McPhee e de Chloe Grace Moretz, ainda bastante jovem mas já uma presença conhecida nestes meandros do terror e do suspense.



sábado, 2 de fevereiro de 2013

O IMPOSSÍVEL

O Impossível, filmado em 2011 pelo espanhol Juan Antonio Bayona, retrata a história de sobrevivência de uma família no meio do tsunami que assolou o litoral da Tailândia em 2004. Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGregor) e seus três filhos iniciam suas férias na Tailândia em busca de alguns dias de sossego no paraíso tropical. Porém, na manhã de 26 de Dezembro, enquanto a família relaxa na piscina depois das festividades de Natal, uma onda enorme apanha todos desprevenidos, dando início a uma das catástrofes humanas mais devastadoras dos últimos anos.
Naomi Watts (King Kong, O Aviso), nomeada para o Oscar de melhor actriz com este filme, é, juntamente com Ewan McGregor (A Ilha, Moulin Rouge, Guerra das Estrelas) e as três crianças protagonista de uma história intensa de coragem e sobrevivência, com alguns momentos fortes de puxar às lágrimas e outros que nos transportam àquele Natal de 2004 e a todo aquele cenário de terror aqui retratado embora não levado ao limite, não almejando a ser um filme de grandes efeitos especiais, preferindo jogar com a sensibilidade, a força das pessoas nos momentos em que têm tudo para irem abaixo e desistirem, a esperança e a família. Um filme impossível de perder, um excelente motivo para bons momentos em frente ao ecrã.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ACTIVIDADE PARANORMAL 4

"Passados cinco anos do desaparecimento de Katie e Hunter, uma família suburbana começa a testemunhar estranhos acontecimentos quando uma mulher e o seu misterioso filho se mudam para o bairro." Este poderia ser o arranque para um bom filme de suspense do tipo sobrenatural, mas Ariel Schulman e Henry Joost não conseguiram transformar este Actividade Paranormal 4 num filme melhor do que os seus antecessores, bem pelo contrário. À semelhança dos outros filmes da saga, o espectador tem de atravessar quase 85 minutos de um deserto de ideias, tentando descobrir em cenários demasiado repetidos e estáticos de onde vai surgir o próximo movimento, na maior parte das vezes já visto e revisto até à exaustão, até aos quase cinco minutos finais bem mais movimentados, mas que nos deixam invariavelmente com um travo amargo na boca. Alguns momentos interessantes - uma vez mais - mas que não conseguem fazer destes Actividades Paranormais uma referência nos filmes do género.

domingo, 20 de janeiro de 2013

GOSTO DE...

... DORAMAS, nome dado às séries asiáticas, com preferência pelas sul-coreanas. Numa altura em que somos bombardeados quase diáriamente por séries que pouco se distinguem umas das outras no seu conteúdo, estas séries - ilustres desconhecidas para a maioria dos portugueses - continuam a ser para mim uma lufada de ar fresco que me envolvem do início ao fim de cada episódio e me deixam sempre ansioso pelo que está para vir.

sábado, 5 de janeiro de 2013

IRMÃOS DE GUERRA

Não tenho particular predilecção por filmes de guerra, confesso, mas Irmãos de Guerra foi uma agradável surpresa, ao ponto de o considerar mesmo um dos melhores filmes que já vi. Do realizador Je-Gyu Kank, o filme conta a história de Jin-Tae, que vive com o seu irmão mais novo (Jin-Seok), sua mãe e ainda a sua noiva. Jin-Tae engraxa sapatos de forma a poder mandar o irmão para a universidade, quando deflagra a guerra da Coreia e os dois irmãos, embora por motivos diferentes acabam por ir parar ao centro da batalha. A partir dessa altura, para Jin-Tae, o seu único objectivo passa a ser o de ganhar a Medalha de Honra de forma a conseguir enviar o irmão de volta para casa, voluntariando-se para as missões mais arriscadas de forma a atingir rapidamente o seu objectivo. Só que a reacção do seu irmão e a entrada da China no conflicto acabam por dar um outro rumo à história, totalmente imprevisível. Irmãos de Guerra não é apenas um filme de guerra. É O filme. Com cenas de uma realidade e brutalidade notáveis a pedir meças às produções do género americanas, com muitas batalhas e bastante sangue, Irmãos de Guerra arranja ainda tempo para ser um dos melhores dramas que tive oportunidade de ver, incidindo sobremaneira na relação muito próxima destes dois irmãos numa guerra em que passa para segundo plano quem são os bons ou quem são os maus, até porque não é isso que interessa. A partir de certa altura, mesmo aqueles que julgávamos bons são vistos a cometer grandes injustiças e atrocidades, a provar que numa guerra não existe um lado certo. Por certo, apenas a convicção de que este é um filme a não perder, se gosta de grandes filmes e não se deixa impressionar facilmente com braços cortados e algum sangue à mistura.

AMORES SOFRIDOS

Revi recentemente e uma vez mais o clássico western Duelo Ao Sol, com Gregory Peck, Jennifer Jones e Joseph Cotten, nos principais papéis. A exemplo das vezes anteriores, voltei a achar que o filme não tem um enredo por aí além - não é um Rio Bravo ou um Shane, apenas para citar dois dos meus filmes preferidos dentro do género, mas aquele final!... Quando a mestiça Pearl Chavez vai ao encontro do foragido Lewt McCanles, não lhe leva apenas o ímpeto selvagem do seu corpo que ele espera poder domar uma vez mais em seus braços, mas o ódio por alguém que a levou a deixar de lado a vida nobre de senhora educada com que o seu pai sempre sonhou, por uma vida desregrada , sucumbindo mais que uma vez aos prazeres de uma paixão avassaladora que cedo nos apercebemos que iria conduzi-la para o abismo, aqui na figura da rocha da Cabeça do Índio, onde os dois acabam por se esvair em sangue depois de uma troca de tiros que termina num beijo daqueles de ficar sem fôlego. Aí, é difícil continuar a manter a raiva que tínhamos por um dos raros papéis de vilão protagonizado por Gregory Peck. O amor, aqui tantas vezes confundido com o ódio, com a loucura, com o simples mas arrebatador e inflamado desejo, consegue apagar parcialmente todos os erros anteriores e levá-lo à redenção, pelo menos aos olhos do espectador. Lembro-me de Romeu e Julieta e tantos outros amores impossíveis e trágicos da tela e da vida real onde todos os dias alguém mata por amor ou por ciúmes. Em Duelo ao Sol, Pearl, como um diabo cheio de tentação e pecado atraiu Lewt para um sentimento que destruiu toda uma família, um amor daqueles tantas vezes sonhados, impetuosos e cheios de fogo que raramente nos passam pelos braços e pelo coração, e que mesmo assim nos deixam tantas feridas abertas, tanta dor e desilusão.

A PRINCESA E O SAPO

Nunca tive aquele chamado sexto sentido em relação ao cinema, apesar de ser viciado em filmes. Aqueles que geralmente venho a gostar mais ficam por vezes semanas, meses, nos clubes de vídeo ou mesmo em casa, na ideia de que até nem serão grande coisa e que há sempre algum filme melhor para ver. Não é a primeira vez que acontece, não será a última. Aconteceu isso com "A Princesa e o Sapo", foi preciso que alguém visse o filme e me dissesse o que eu estava a perder para arriscar. Afinal, tinha-me enganado. Longe de ser mais uma versão estereotipada dum clássico intemporal, "A Princesa e o Sapo" consegue ser original, divertido e romântico, com um leque de personagens muito bem construídos que nos fazem pensar, contrapondo a riqueza ou o aspecto exteriores com aquilo que realmente és. Porque não é apenas no mundo virtual que continuam a existir sapos - imensos - há espera de princesas e de beijos daqueles de cinema, e princesas que ainda esperam por príncipes, o filme dá-nos uma lição importante, de vida, de fé. Não importam as nossas aparências, a fortuna, a roupa, o carro à porta, o telemóvel topo de gama, mas sim os sentimentos. Eu sei que Fevereiro ainda nem vai a meio, mas este é até agora o melhor filme que eu já vi este ano e que aconselho vivamente. Talvez os mais pequenos até o achem chato, lamechas, com momentos musicais a mais e violência a menos. Até por isso eu gostei. Vale a pena conferir.