Entre o riso e o choro, o drama da vida ou a comédia a cores ou a preto e branco. A verdade escondida que nos faz pensar e crescer, meras coincidências que nos dizem tanto ou quase nada, momentos bem passados de preferência partilhados, numa boa companhia e num pacote de pipocas.

sábado, 5 de janeiro de 2013

SOLDADOS DA FORTUNA

Entre algumas das séries televisivas que acompanharam o crescimento da minha geração e das que que se lhe seguiram imediatamente, A-Team (ou Soldados da Fortuna) estava entre as favoritas, pela acção - muita -, sempre com boas doses de humor e um quarteto de heróis tão distintos entre si, mas que nos agarravam ao ecrã da televisão do princípio ao fim do episódio. Mais de vinte anos passados sobre o final da série (1987), Ridley Scott, responsável por alguns dos melhores blockbusters dos últimos anos, traz-nos a versão cinematográfica desta série, com novos actores, mas a mesma receita de sempre, a luta de quatro homens com métodos um pouco peculiares, lutando contra a injustiça a que foram submetidos e enfrentando novos e perigosos vilões.


a série

Liam Neeson (john "Hannibal" Smith), cuja carreira parece estar novamente no auge (Taken 1 e 2), surge perfeito no papel que coubera a George Peppard (inesquecível no clássico Breakfast at Tiffany's), como o cérebro de todas as operações levadas a cabo pelo grupo. "Mad Murdock" (Sharlto Copley, no papel que pertencera a Dwight Schultz) continua a protagonizar as cenas mais hilariantes ao lado de Quinton "Rampage" Jackson, que interpreta o poderoso e popular Bosco A. Baracus (quem não se lembra de Mr.T e da sua fobia por voar?). A completar o quarteto, Templeton "Faceman" Peck, o preferido dum público feminino mais jovem, anteriormente interpretado por um dos galãs da altura (Dirk Benedict) e que agora pertence a Bradley Cooper (Ressaca, Valentine's Day, All About Steve, entre outros).


o filme

Na minha opinião, um bom filme de acção, da eterna luta do bem contra o mal, com um argumento tantas vezes repetido mas que resulta quase sempre bem, especialmente para os saudosos da série original.

SEGREDOS DE FAMÍLIA

Pode um casal sobreviver a um segredo? Até que ponto será aceitável a existência de segredos entre maridos e mulheres, mesmo quando o conhecimento de determinados factos pode alterar a vida desse par para sempre? Lembro-me perfeitamente de um dia ter discutido com uma pessoa especial sobre até que ponto um acidente grave, uma incapacidade de um elemento do casal, uma doença de um dos filhos, daquelas que permanecem para a vida inteira poderia influir num casamento, na felicidade de duas pessoas que juravam constantemente promessas de amor eterno. Isto a propósito de alguns casais que se separam à primeira contrariedade e de "para sempres" e "até à eternidades" que se revelam sempre demasiado frágeis. Sosseguei-a com a minha resposta, sincera nas minhas convicções. Aliás, não acredito que a maioria das pessoas desse outra resposta, mesmo aquelas que um dia passaram pelo mesmo e acabaram por se separar. Há coisas que só mesmo quem passa por elas, cada caso é um caso, cada pessoa reage de forma diferente e por muito que nos conheçamos raramente conseguimos antecipar as nossas reacções a determinados factos. Já me tinha esquecido desta conversa, ocorrida no interior dum autocarro a caminho do fórum Almada, há coisa de quatro anos atrás, até assistir a Segredos de Família (the memory keeper's daughter), sem maiores expectativas do que teria se fosse ver algum daqueles telefilmes familiares da TVI de fim de semana. Confesso que o elenco - apesar da minha admiração por Emily Watson - não contribuiu para alterar a minha opinião pré-concebida, sustentada convictamente apenas até aos primeiros minutos do filme, que nos agarram desde logo à história e que nos fazem pensar desde logo: "E se?... fosse connosco?". Essencialmente, o filme conta-nos a história de um casal (Dermot Mulroney e Gretchen Mol) nos momentos que antecedem o nascimento do seu primeiro filho. Na ausência do médico, o marido - também doutor - resolve fazer ele próprio o parto, ajudando a dar à luz não um, mas dois bebés de sexos diferentes. O rapaz é uma criança perfeita, enquanto a rapariga sofre do síndrome de Down. Assustado por antecedentes familiares no seu passado relacionados com a doença, o protagonista resolve "esconder" a menina da sua esposa, contando-lhe que não sobreviveu ao parto, entregando a criança à enfermeira (Emily Watson), para que a levasse para um lar. Desta forma, pensava, a família seria feliz, sem os sacrifícios e a possibilidade de uma morte prematura que fizesse desmoronar a harmonia e a felicidade do casal. Todavia, o que o filme nos mostra é um contraste enorme entre a vida do protagonista no seu seio familiar e a da enfermeira, que desobedecendo resolve cuidar da menina como sua filha, e que resulta num drama comovente sem ser demasiado lamechas.

SOLDIERS GIRL - Um drama real



Soldier's Girl, do realizador Frank Pierson, não é um grande filme a nível comercial, nem podia sê-lo. Com poucos meios, actores ainda pouco conhecidos entre nós e uma história polémica, dificilmente poderia ser um sucesso de bilheteira. 
Calvin Glover - manipulado por Fisher, ataca Winchell quando ele dormia
 Contra-senso ou não, Soldier's Girl é a prova de que não só de blockbusters e orçamentos milionários se podem fazer filmes que nos contam boas histórias, daquelas que nos deixam a pensar mesmo depois do filme terminar.
Winchell e Fisher no filme
 Não é um filme fácil, longe disso, como não era preciso descobrir estar perante uma história verídica para lhe dar credibilidade, tão actual é a sua realidade, mesmo mais de dez anos decorridos sobre os factos do filme. Soldier's Girl conta a história do soldado Barry Wichell (interpretado por Troy Garity), que se apaixona por Calpernia Addams (um fantástico Lee Pace, que poderemos ver brevemente em Marmaduke).
Lee Pace interpreta Calpernia Addams
 Só que esta soldier's girl não é uma mulher qualquer, mas uma transexual que actua numa boite onde o colega de quarto de Wichell, Justin Fisher (Shawn Hatosy) o leva, numa saída nocturna do quartel. A relação entre o par romântico avança, enquanto nos apercebemos das dificuldades impostas pela mentalidade dos colegas, por insinuações maldosas, pelo quanto uma relação dessas pode abalar os alicerces e as  normas do exército dos Estados Unidos, mesmo nos dilemas morais de Wichell que decide avançar, mesmo sabendo que Calpernia não tinha nascido num corpo de mulher e, quando não se importa que ela deixe de fazer a derradeira operação de mudança de sexo
Barry Winchell
. É uma história de amor, não de sexo, uma história destinada a terminar da pior forma, marginalizados por todos e que culmina com um ataque cobarde e enquanto dormia, de um jovem soldado de 17 anos, manipulado por Justin, que dá a ideia de sofrer de um recalcado e unilateral relacionamento homossexual. Winchell sofreu, na madrugada de 5 de Julho de 1999 fortes traumatismos cranianos que lhe deixaram em estado de coma, no qual se manteve até os seus pais mandarem desligar a máquina que o prendia à vida num estado vegetativo.
Calpernia Addams
 Winchell morreu porque cometeu o pecado de amar alguém diferente, como se os sentimentos tivessem de obedecer a regras. Repito que o filme não é nada demais, mas saíndo da ficção para o campo da realidade, apercebo-me que todos estes acontecimentos tiveram lugar em 1999, provocando uma espécie de paranóia sexual, uma espécie de ataque às bruxas, em Fort Campbell e mesmo na América de então, cujo Presidente era Bill Clinton, mas, pergunto-me: e se fosse agora? Se o mesmo sucedesse em 2010, seria diferente? 
 Winchell teria sido tratado de forma diferente pelos colegas? Pelos seus superiores? Calpernia poderia ter outras opções profissionais que não as de cantar numa boite  como a Vision? Numa época em que constantemente batemos com as mãos no peito, orgulhosos pelo progresso, pela liberdade de expressão, por sermos modernos e liberais, sem preconceitos, qual seria a sua reacção se um filho, um irmão chegasse junto de si e apresentasse uma transexual como namorada? Teremos progredido tanto? Teremos aprendido algo ou seria apenas mais uma história de amor triste? Com mais de dez anos, o filme permanece assustadoramente actual, com toda uma comunidade transexual a ser segregada, a ter de viver e amar quase clandestinamente, escondida dos preconceitos de uma maioria raramente silenciosa nos seus comentários mordazes para com tudo/todos que são diferentes. Para quando um amor, uma vida em que não tenhamos de ser separados (distinguidos) por cores, credos, sexos, em que conte apenas quem somos e o que sentimos?
pode ser errado amar?


um a

HEAR ME

Hear Me é um belíssimo exemplo do bom cinema que se continua a fazer na Ásia, não apenas na Coreia do Sul, China ou Japão, mas também em Taiwan - Spider Lilies, Three Times...-, de onde é originário este filme de 2009, que conta a história de Yang Yang (Ivy Chen) e Tian Kuo (Eddie Peng), dois jovens para quem os problemas de comunicação parecem pôr em causa a felicidade dos dois e os sentimentos entre eles. Quase silêncioso, o filme vive muito da linguagem gestual entre a maioria dos personagens - com as legendas a serem um auxílio precioso ao espectador -, da integração dos deficientes auditivos numa sociedade cada vez mais apressada e cheia de ruídos e, principalmente, da dificuldade que as pessoas têm - com deficiência auditiva mas não só - de se fazerem ouvir, mas também escutar e compreenderem, vozes, gestos, o coração. É ao coração que nos toca sobremaneira este filme delicado e terno, intenso, incapaz de nos deixar indiferentes.
duas irmãs vivendo os sonhos uma da outra

a dificuldade de comunicar sempre presente

pode um amor sobreviver de silêncios?

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

POSSUÍDA (The Possession)

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A jovem Hannah (Madison Davenport) adquire uma velha caixa numa feira de velharias sem saber que dentro do artefacto vive um antigo espírito malévolo. Os pais da rapariga reúnem esforços para descobrir a forma de pôr fim à maldição que caiu sobre a sua filha.
Ole Bornedal, o dinamarquês que já nos tinha trazido, entre outros, O Vigilante da Noite e I Am Dina, volta a surpreender-nos positivamente com este The Possession, um dos melhores filmes do género realizados neste ano que agora findou. Com participação do sempre competente Jeffrey Dean morgan (Watchmen, Loosers, Resident e P.S. I Love You), que parece talhado para este tipo de filmes e ainda com Kyra Sedgwick (Ally McBeal), este Possession traz-nos de volta o cinema de espíritismos e exorcismos, de uma luta que, como vemos no final estará sempre longe de estar concluída. Um excelente filme para quem gosta do género e não desdenha um ou outro susto.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MAY ALL YOUR DREAMS COME TRUE

As Minhas Pipocas Davam Um Filme desejam a todos os visitantes e amigos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, cheio de paz e amor, saúde e prosperidade, se possível com pipocas e muitos, muitos filmes. Vejam ficção, mas não só. Façam os vossos filmes, transformem os vossos sonhos em realidade, saiam do lado errado da janela e pulem para a vida, vivam, existam, sejam felizes, ousem!

sábado, 15 de dezembro de 2012

SE EU FOSSE VOCÊ


"Se Eu Fosse Você" é a história de um casal que, de um momento para o outro se vê um no corpo do outro, com todas as peripécias que daí advém, e já tantas vezes exploradas em outros filmes. Porém, sem pretender ser mais do que é - uma comédia familiar -, este filme conta com excelentes interpretações desses dois "monstros" do cinema brasileiro, Glória Pires e Tony Ramos, além de um vasto leque de outros actores bem conhecidos das telenovelas do outro lado do Atlântico. Infelizmente sem edição portuguesa, este filme é bem melhor do que muitas comédias que nos chegam às salas de cinema e aos clubes de vídeo. Divertimento garantido, com particular incidência para uma cena memorável de Tony Ramos na piscina. Este filme - já com continuação - é um exemplo perfeito do que de bom se faz no Brasil no que se refere à sétima arte.