Entre o riso e o choro, o drama da vida ou a comédia a cores ou a preto e branco. A verdade escondida que nos faz pensar e crescer, meras coincidências que nos dizem tanto ou quase nada, momentos bem passados de preferência partilhados, numa boa companhia e num pacote de pipocas.
Mostrar mensagens com a etiqueta filmes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta filmes. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

MORRER POR AMOR?



MORRER POR AMOR?


"A Millionaire's First Love" é o título de um drama sul-coreano, daqueles que deixam os nossos olhos marejados de lágrimas rebeldes, por mais insensíveis que queiramos parecer. É a típica história do rapaz rico e da rapariga pobre, que a princípio parecem não encaixar mas que acabam inevitavelmente por se apaixonarem. Como é previsível neste tipo de filmes, o final feliz encalha sempre num "mas", cujo fundamento costuma ser o de fazer o filme render durante hora e meia a duas horas. Geralmente esse "mas" é um terceiro elemento, o terceiro vértice de um triângulo amoroso.
 
 Não nesta história. Quando tudo parecia ter tudo para dar certo, descobrimos que a rapariga doce e frágil sofre de uma doença incurável e que as emoções fortes, como amar, podem apressar o seu trágico destino. É aqui que eu quero chegar, apesar do filme valer por muito mais do que apenas isto. Quanto vale a vida? Quanto vale um grande amor? Deveria o rapaz apostar tudo no sentimento que, unindo-os, iria acabar irremediavelmente por separá-los precocemente? Com que direito? Deverá o amor ser tão egoísta, ao ponto de se sobrepor à própria vida? E de que vale a vida se tivermos de abdicar dos sentimentos? Na ficção como na realidade, são muitos os casos de quem sacrifica a sua vida por amor, de quem abdica da sua felicidade em troca da felicidade da pessoa amada, mas será essa extrema demonstração de altruísmo ainda válida nos dias de hoje?
 Morrer por amor, como se não houvesse nada mais importante na vida. E matar? Será sensato ou sequer legítimo - e já não falo das mortes por ciúmes ou apenas baseadas em leves suspeitas - amar, mas amar de tal forma intensa, mesmo sabendo que, como no caso do filme, esse amor irá abreviar a vida de quem amamos mais do que a nós mesmos? Quanto vale a vida? Quanto vale o amor? Ficar ou partir, matar ou morrer (por não poder amar). Muito mais conhecido do que este filme é "A Walk To Remeber", baseado no romance de Nicholas Sparks, onde a filha do pastor de uma pequena cidade ajuda o protagonista a ensaiar para uma peça, na condição de que ele não se apaixone por ela, que sofre de leucemia e que, acaba numa corrida contra o tempo, de modo a conseguir concretizar todos os sonhos dela antes de morrer. Será amar então mais importante do que - não diria viver, mas antes sobreviver? Francisco Moita Flores disse o seguinte: "...a morte é a ausência do beijo, do abraço, do toque, do cheiro de uma pessoa...".

E eu assino por baixo. De que vale uma vida longa se o amor nos for negado?

 (extraído de A-voz-das-palavras.blogspot.pt)

A GRANDE FAMÍLIA VIRTUAL



A GRANDE FAMÍLIA VIRTUAL
Poucas vezes expressões como "todos os caminhos vão dar a Roma" ou "como o mundo é pequeno" fizeram tanto sentido como quando aplicadas ao vastíssimo e ilimitado mundo da net. Parece à primeira vista um contra-senso, mas não será tão estranho assim. Quantas vezes já não entraram num outro blogue e constataram que conhecem a maior parte daqueles que o seguem e/ou que o comentam? Não ficaram já com aquela sensação de que, no fundo - por maior que seja a distância que nos separa - somos todos uma família? Numa época em que o indivíduo cada vez mais tende a isolar-se dos outros numa procura de protagonismo tantas vezes estéril ou a padecer de um dos grandes flagelos deste século - a solidão -, há uma maior apetência para se refugiar nas realidades virtuais e a construir aí o seu círculo de amizades, o ombro amigo e confidente nas pessoas que pouco ou mal conhece, como se essa particularidade o protegesse das armadilhas da vida real. As pessoas têm hoje muito medo da realidade, com a crise económica e de valores a influenciar e de que maneira todos os seus relacionamentos e expectativas. Os filhos preferem os computadores e os videojogos ao contacto com os pais, as telenovelas e o futebol dividem os casais e silenciam as antigas conversas à volta da mesa, o dinheiro - esse maldito dinheiro - tomou um papel demasiado preponderante nas relações, onde amar e ser amado já não é só por si suficiente. Tornou-se fácil magoarmos os nossos sentimentos. É aí que entram os irresistíveis e perigosos chat's, os messengers, os blogues e os grupos sociais como o Facebook, o Tagged, o Hi5, a Netlog, o Twitter ou o Orkut dos nossos irmãos brasileiros. Ninguém conhece verdadeiramente ninguém e aí é que está toda a atracção e mistério deste mundo paralelo onde cada vez perdemos mais tempo, gastamos horas em detrimento duma realidade sofrida ou de um tempo passado em família. Despimo-nos virtualmente em confidências alimentadas pela solidão e pela fome de esperança. Depois de meia dúzia de palavras estamos já a contar coisas tão íntimas que alguma inibição sempre nos impediu de contar aos melhores amigos, trocamos fotografias quase sempre verdadeiras, números de telefone, experimentamos o jogo da sedução, há quem seja mais ousado, combine encontros, faça sexo... virtual. Mas o que procuramos afinal? Um verdadeiro amigo? Uma maneira apenas de passar o tempo? Um amor ou um simples flirt? Estaremos a tornarmo-nos a nós próprios em personagens de um enorme jogo virtual, seremos nós os novos Sims? Estaremos a substituir a nossa família e amigos por pessoas que não conhecemos, como os amigos imaginários da nossa infância? Porque desabafamos, por que nos sentimos tão mais à vontade com estes novos amigos/desconhecidos do que com aqueles que conhecemos de anos e anos de convivência? Porque sentimos por vezes como nossas as suas expectativas, carregamos as suas dores, as suas necessidades, ansiamos por fazer parte das suas vidas, procurando a palavra Online à frente de um endereço de email? Estará a vida real a perder protagonismo à medida que as dificuldades económicas e emocionais aumentam ou será a internet uma concha onde nos escondemos, um anti-depressivo deste novo século onde a famosa luz ao fundo do túnel vem agora de uma webcam? Todas as rosas por mais bonitas têm espinhos, mesmo que algumas não nos façam sangrar a pele. Este mundo novo e cheio de potencial pode ser tão maravilhoso quanto o uso que lhe dermos, mas não substituirá nunca a vivência das coisas, dos cheiros. Quem viu "Os Substitutos", protagonizado por Bruce Willis, sabe que a ficção poderá não estar tão distante da realidade como poderíamos pensar.

(extraído de A-voz-das-palavras.blogspot.pt)